
Você aí, que compartilha os links mais irreverentes do Twitter, resguardado no aconchego do seu lar e protegido por encurtadores de URLs: você não é nada.
O amigo Hans Guro não se contenta com a fugacidade e a frieza das redes sociais. Diante do já famoso flyer das Pirigóticas, foi conferir in loco as promessas contidas no arquivo JPG que circulou nos recônditos mais brincalhões da internet.
Na fria madrugada de 8 de agosto em Sampalândia, ele saiu às ruas rumo ao Espaço Alternativo Subsolo. Foi, viu e venceu.
Poucas horas depois, enviou por e-mail um relato da aventura a um seleto grupo de amigos. Diante do brilhantismo do artigo, travei uma batalha com meu inimigo público e colega de Interbarney Daniel Lima pelos direitos de publicação do texto.
É evidente que venci, e é esse material que trago com exclusividade para os membros do pujante conglomerado midiático Interbarney. Abaixo, reproduzo o texto, denso e envolvente, escrito à moda do blogger maloker Humberto Finatti. Estão preservados do original grifos, emoticons, trechos formatados em Comic Sans e referências a Dayvid Braga. Com vocês, Hans Guro:
Tá tudo bem agorapor Hans Guro
Em mais uma demonstração de estoicismo e pura virilidade inconsequente, o borelón lókon que vos escreve praticamente seguiu seu Sentido Dragão (SD) e foi sozinho ao evento conhecido como “PIRIGÓTICAS“. Saí da minha casa à 1h20 e, a pé, cheguei ao local aproximadamente à 1h45, horário de Brasília. Não havia indicações de que o número 425 da Rua 7 de Abril fosse o tal Subsolo Espaço Alternativo, mas o grupinho de goths fumando na frente do estabelecimento não deixava dúvidas de que ali realmente acontecia o evento exclusivo para mulheres ousadas e com os mais variados estilos de sensualidade. (e também de que a lei antifumo veio pra ficar). Só para me certificar de que estava no lugar certo, solicitei na recepção um flyer da festa da noite; portanto, tenho em mãos o famigerado convite polêmico que tanto despertou o interesse do boreloker. Um tanto quanto seguro, adentrei o recinto, e qual não foi a surpresa ao constatar que, ali, não havia Pirigóticas – por certo o convite estampava a data errada! -, mas sim, um tipo de evento mais popular (e muito menos atrativo), denominado (GOTH) SAUSAGE FEST
Desorientado pela falsa informação e pelo CC desagradável que poluia o ambiente, o gonzo logo tratou de se acalmar e notou que, apesar de terrivelmente desproporcional, havia mulheres no salão. Pelo que pude contar, cerca de SEIS, e a maioria delas tiraria um zero numa escala de 1 a 10. Mais contido e aliviado pelo fato de que ao menos não estava no porão de um HOMOSEXER-PEDORAPIST, segui rumo ao bar e pedi uma ÁGUA TÔNICA paumolescente. De um canto escuro, isto foi o que avistei:
- Uma xotaça loira goth dançando colada à cabine do DJ. Esta, um dos poucos resquícios de esperança na humanidade, logo se confirmou praticamente namorada do DJ, é claaaaaaaaro;- Uma goth de cabelo verde-catarro sozinha no sofá, completamente catatônica, possivelmente também surpresa com o engano da organização;- Um sujeito boa-praça vestindo uma camiseta com os dizeres “YES WE CAN” e uma foto de Barack Obama (à essa altura do campeonato I wanted to be his bro, mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa ele desapareceu do mapa);- Vários goth dançando de maneira inusitada. E.g.: um sujeito de punhos enfaixados (!) desferia jabs no ar – possivelmente contra o INVISIBLE JESUS; um rapaz de jaqueta jeans executava o famoso passo THE HUSTLE, exceto que totalmente distorcido e nada parecido com o THE HUSTLE;- Algumas barangas goth de 3º mundo vestidas de maneira inapropriada;- Mais do que tudo, a ausência de Zap n’ Roll & Humberto Finatti.Não mais que uma hora depois e absolutamente nada notório para relatar, resolvi entregar o jogo e caminhei rumo à Bela Vista, com o peso do mundo sobre meus ombros magros. Mas antes de encerrar a noite, o lókon maloker estava disposto a encarar mais um embate cultural. Andando pela Rua Consolação, tão logo passado o cemitério, avistei hipsters fumando do lado de fora de um inferninho, e pensando entro não entro entro não entro entro não entro – ÔE – entrei.Muito para minha surpresa, o lugar estava repleto de belas xotaças, e um trio eletrificava o ambiente com um dance-rock despretensioso e divertido. (o que fez o autor se lembrar do saudoso Espaço Retrô, na Sta. Cecília) Por ali também avistei a galera do MILOKOVIC, que havia tocado antes e ao fim do show do trio subiu ao palco para uma JAM cheia de groove.Encerrado o show, voltei pra casa, bati uma bronha e dormi.Forte abs,B.B.2009” seja vc mesmo “
